O rio Ludares corre em vale encaixado, cujas vertentes condicionam tanto a exposição solar como o escoamento das águas, contribuindo desde há séculos para a sua fertilidade agrícola. 

Na vertente norte  entre os 500 e os 530m localizam-se-se as vinhas da Quinta da Boavista. Na vertente sul, ligeiramente a jusante, encontram-se, entre os 470 e os 500m de altitude, o souto e a vinha da Quinta da Boaágua.

Vale do ludares

Geodiversidade

A encosta norte é o nosso ex libris, solos raros, argilosos, provenientes de alteração de xistos, grauvaques e ortognaisses, com origem em sedimentos marinhos de há 500 milhões de anos.

Estes solos proporcionam grande capacidade de retenção de água, maior fertilidade e dão um carácter particular aos nossos vinhos, de grande salinidade, que os distingue dos vinhos de granito habituais na região. Os solos argilosos também permitem ciclos mais longos com maturação mais lenta, resultando em vinhos mais profundos e intensos.

Já na encosta sul, as parcelas são graníticas mas os solos não são arenosos e sim constituídos na sua maioria por silte, sedimento fino também com grande capacidade de retenção de água.

Microclima

Para além do contexto particular do Vale do Ludares, são típicas na região grandes amplitudes térmicas com noites frias mesmo no verão, o que se deve à proximidade da Serra da Estrela com 2000m de altitude, e ao contexto granítico da região, rocha que irradia pouco calor durante a noite pois não absorve muito durante o dia.

No verão são frequentes as manhãs de nevoeiro, o que se deve à proximidade ao vale do Mondego que funciona como um corredor natural  permitindo a penetração de humidade e ventos frescos do Atlantico até ao interior da Beira Alta. 

Topografia

O Rio Ludares corre a cerca de 450 m de altitude e a topografia do seu vale dá a estas terras distintos contextos de exposição solar. A encosta norte argilosa é soalheira e portanto mais quente enquanto que a encosta sul é mais sombria e fria e também mais inclinada.